01 julho, 2008

O evitar do adeus.

E cá estou eu a derramar lágrimas mudas, mais uma vez ansiando os mesmo velhos braços, os quais não me cansam nunca (por mais que queira). O fato de ter que tomar a iniciativa sempre, me irrita, jamais fiz isso e não sou de abrir exceções. Gostaria de ao menos uma única vez, enquanto durar essa relação, me sentir domada e imune a qualquer tentativa de escapar da fonte de calor que tanto me acomoda. Odeio confessar, mas quero "ouvir o silêncio" em um único momento em que respirações ofegantes tirem minhas atenções de quaisquer movimentos a nossa volta. Sentir a tarde avançar, sentir pele, sentir carne e o simples ato do tocar.


Agora um feixe de luz passa pela porta iluminando parte do quarto escuro, aquela cama onde ele sentara e de longe posso ver o sofá, aquele sofá. Uma noite em claro em vão, fitando as gotas de chuva escorrerem pela janela por incontáveis horas, seguindo os carros até virarem a esquina. A noite avança e ele longe, talvez até com o pensamento na outra. Motivo pelo qual pensei inúmeras vezes em abrir mão de tudo, de todo sentimento não correspondido, abrir mão de me sentir completa e de poder dar o meu amor, para ter somente uma tranquila noite de sono, a qual não tenho há dias, sem ter que acordar assustada com aquele rosto que me persegue. Se eu abrir mão dele, de mim, de nós, irei ajudá-lo a se curar daquela ressaca que por tempos atrapalhou qualquer entendimento entre a gente. Só que será uma pena não poder jogar-me em seus braços quando estiver "curado", pois, decisão uma vez tomada, não se volta atrás. Por isso evito em decidir.


O medo de amanhã trocarmos o último beijo afronta-me arrepiando meus pêlos. A decisão é minha. Eu não quero acabar com isso, por mais que deva. É mais forte que eu. Se ele mostrasse algum interesse e de algum jeito me surpreendesse impedindo-me de acabar... Nada! Infelizmente estou a aguardar. Algum sinal? Rápido, o tempo corre e ele é curto.

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