Tua nudez cheia contrasta-se com minha nudez vazia de ti, de mim, de nós. Ainda recordo-me da última vez em que devoramos (devoramo-nos) mil páginas dos livros que escrevi poetizando cada gota de suor que escorria de seu corpo para meu corpo, aqui, em minha cama. Era oco o contorno de sombras projetadas na parede por um sol fixo do teu corpo e do meu corpo; de um homem nu, de uma mulher nua. Em mim surtiu um efeito blasé e por um momento desejei estar muda. Meu mal-estar era de alguma forma divertido. Lá eu não te dispensarei jamais, sabe? Você, assim, inteiro, aqui dentro preenche, pulsa e esquenta no sentido mais literal com direito a sudoreses escorrendo nas paredes. Essa semana provarei vários sabores e te verei provando dos teus outros sabores também, então sorrir-te-ei com o olhar mais ‘tomara-que-me-coma’ do mundo. Entenderás.