30 junho, 2008

Começo sem meio e fim.

Não fora nenhum piano de calda com suas curvas perfeitas, não fora nem um violão que aqueles dedos delicados não sabiam dedilhar as cordas tão sensíveis. Fora apenas um piano comum que aquelas mãos friamente trêmulas tocavam notas pretas que arrepiaram seus pêlos. A combinação era perfeita. Quatro notas e um acorde desconhecido. Soou música. Mais quatro notas, um ritmo que ora lembrava jazz, ora lembrava rock, ora lembrava blues, ora lembrava balada e, pronto. Uma música, um improviso. Criação instantânea sem letra, só som e muito sentimento despejado no tocar. Uma manhã inspirada no tempo perdido que foi a espera de um amor correspondido. A decisão estava tomada, mas ainda não queria colocá-la em prática, pelo menos não agora. Começo da música, começo do amor. Fim da música, fim do amor?

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