E agora aqui estou em meu quarto sombrio, derramando lágrimas secas sob meu travesseiro, tento entender o que se passa em minha casa. Minha mãe reclama, meu pai resmunga, minha irmã se irrita e com um gesto impensado atinge minha face com sua mão pesada. O que fiz pra merecer tamanha grosseria? E meu afilhado? Pobre Daniel, apenas nove anos de idade, aqui ao meu lado consolando-me, perguntando-me e tentando entender o que se passa nessa casa de doidos. Liberdade é pouco. O que quero ainda não tem nome.
Família, família, família. Uma única palavra com inúmeros significados. A minha é assim. Almoço separado, cada um por si e Deus por todos, cada qual no seu canto refletindo sobre o tal ponto que nos deixamos levar dominados sob atos de loucura. Todos com personalidades extremamente fortes, o que atrapalha muito qualquer entendimento.
Não sei o que fazer do que vivi, tenho medo dessa desorganização profunda. Sinceramente?! Acho que não era pra eu ter nascido aqui, não deveria pertencer a essa casa. Porém longe desse lugar eu não seria nada, afinal é essa selva em que vivo que me faz ser que eu sou. Todos malucos e eu louca, sendo assim a mais sensata de todos aqui pertencentes. E assim, em vez da bela liberdade, da solidão e da música, a triste alma tem mesmo que se debater nos cuidados, vigiar e amar, e acompanhar medrosa e impotente à loucura geral, o suicídio geral. E adular o público e os amigos, mentir sempre que for preciso e jamais se dedicar a si própria e aos seus desejos secretos.
(Texto baseado nos pensamentos de Clarisse Lispector e nas crônicas de Rachel de Queiroz)
Família, família, família. Uma única palavra com inúmeros significados. A minha é assim. Almoço separado, cada um por si e Deus por todos, cada qual no seu canto refletindo sobre o tal ponto que nos deixamos levar dominados sob atos de loucura. Todos com personalidades extremamente fortes, o que atrapalha muito qualquer entendimento.
Não sei o que fazer do que vivi, tenho medo dessa desorganização profunda. Sinceramente?! Acho que não era pra eu ter nascido aqui, não deveria pertencer a essa casa. Porém longe desse lugar eu não seria nada, afinal é essa selva em que vivo que me faz ser que eu sou. Todos malucos e eu louca, sendo assim a mais sensata de todos aqui pertencentes. E assim, em vez da bela liberdade, da solidão e da música, a triste alma tem mesmo que se debater nos cuidados, vigiar e amar, e acompanhar medrosa e impotente à loucura geral, o suicídio geral. E adular o público e os amigos, mentir sempre que for preciso e jamais se dedicar a si própria e aos seus desejos secretos.
(Texto baseado nos pensamentos de Clarisse Lispector e nas crônicas de Rachel de Queiroz)
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