26 maio, 2008

Antiga vida cor-de-lu.

"Isso eu queria, chegar junto do homem que amo e dizer para ele: Dana-te meu bem! Pode ir, pode voltar, pode rolar pelas calçadas, pode jogar futebol, pode amar e desamar, pode tudo que eu não ligo! Mas não faço, queria tanto, mas não faço."
Resolvi acabar com a minha vida, ela não fazia mais sentido mesmo. E fora isso, eu andava completamente irritada, ficava brava ao ver a felicidade dos outros, comparava-as com a minha que fora embora e me deixado só , por mais de dez anos. Eu já não sabia mais sorrir, fiquei sem rumo. Sentia que eu era um bebê indefeso, abandonado pela mãe. Senti-me sem colo, proteção. O que eu mais queria naquele momento era o abraço caloroso de minha mãe, mas ela já havia morrido. Meu pai?! Fugira de casa quando eu tinha apenas
dois anos de idade. E meu marido dizia que eu era louca, neurótica.
Hoje, logo hoje que não posso mais voltar atrás e reparar meus erros, me sinto uma palhaça, literalmente. Agora vejo que entendi tudo errado, tirei minhas próprias conclusões que brotaram de um pensamento errôneo em um momento que me fazia de cega e tampava meus ouvidos para qualquer comentário alheio, pois certas palavras
ou até mesmo a falta delas, me irritavam profundamente.
Sempre achei que Carlos (meu marido) era ausente por ter um caso com uma outra mulher, que inventava aquelas viagens de trabalho para ter noites de amor com ela. Ele voltava pra casa, deitava ao meu lado e em menos de vinte minutos, dormia. Uma noite de amor, minutos de prazer, sentir-me desejada, era tudo o que eu queria. Mas não, eu
estava errada. Carlos me tratava assim, pelo meu ciúme doentio e viajava para relaxar, não para encontra a outra. Não existia outra!
Cheguei à conclusão de que cometer loucuras por amor, assim como cometi, não valem à pena. Só que agora é um pouco tarde demais para voltar atrás e rever meus passos.
Aqui estou eu, nesse caixão cor-de-vinho, relembrando minha vida cor-de-lu e vendo o quão tola, maluca fui. Matei-me, morri por amor. Adeus Luíza.

(Texto baseado nas idéias de um amigo meu, Milton e de Machado de Assis em: Memórias Póstumas de Brás Cubas. Também com intertexto de uma crônica de Rachel de Queiroz: Último Desejo.)

2 comentários:

Anônimo disse...

AI CAROL
adorei , né
só vai dar a gente em colunas chiquerrimas tipo veja/época com nossas materias incríveis e instigantes, hahaha
jornalismo 4life, hahaha
beijao

Anônimo disse...

Impressionante :o
amei muuuito amiiga!
és demais (x
um dia vou escrever que nem você!
beeeeeeeeijos ;@