19 janeiro, 2009

Brasil à moda do sexo.

Cá estamos nós, em um país onde o auge da moda está focado na luxúria mais evasiva de todos os tempos, na devassidão, na atração, um país onde sexo virou moda. Moramos em um lugar onde a dança da motinha tornou-se uma das mais belas poesias. Hoje, os grandes autores estão praticamente extintos e uma música bastante popular brasileira – quiçá uma nova possível MBPB – está drasticamente sendo posta no lugar da nossa boa e suave música popular brasileira, a tão conhecida e invejável MPB, sonhadora, encantadora, polêmica e defensora de várias idéias, – ideias, já que entramos em 2009 – grande e constante participante da história do Brasil.
Vinícius de Moraes, Chico Buarque de Holanda, Antônio Carlos Jobim, Carlos Lyra, Ronaldo Bôscoli, Belchior, Toquinho, Caetano Veloso, entre outros fortes nomes e autores, em vez de verdadeiros poetas, são chamados de caretas pela maioria da atual juventude. Porém a moda do sexo não atinge somente os ouvidos, ela está aos olhos de quem vê e no peito de quem sente, tem atingido todos os nossos sentidos. As pessoas vendem e procuram por sexo em todos os lugares. Matinês foram abolidas, as festas adolescentes começam na calada da noite e terminam ao amanhecer, estamos com os horários invertidos.
Em casa, pais e filhos discutem sobre sexo, meninas engravidam aos quatorze, quinze anos de idade, não existe mais amor à primeira vista, não existem mais serenatas e o assunto entre jovens nas escolas e nas ruas é sexo. Propagandas de cerveja cheias de erotismo, futebol e suas musas... Merchandising indireto e direto ao sexo. Mentes maliciosas, comidas afrodisíacas, perfumes que despertam desejo; Os jovens convivem com o sexo 24 horas por dia, desde pequenos sabem que nasceram por meio dele, pais e mães não precisam mais contar a história da cegonha, hoje, sexo aprende-se na escola.
Os motéis, antigos postos de descanso de beira de estrada para caminhoneiros, hoje tem camas em forma de coração, espelhos no teto, ambientes climatizados e músicas de strip-tease ao fundo, só restam colocar uma placa à frente: “Aqui se vende sexo. R$ 25,00 a pernoite”.
O doce broto passou a se chamar de “gostosa”, foi-se o tempo em que se fazia “amor” escondidinho. Hoje temos aí, carnes de todos os tipos para quem quiser apreciar, “à la carte”. Sirva-se!

7 comentários:

Xande Lunardelli disse...

muito bom cara!

eu usaria mais humor, mas ficou um texto muito inteligente. cheio dos conhecimentos e tal.

tenho orgulho de ser seu inimigo.

amo vc!

beijos

~Lilah disse...

Realmente. Hoje em dia as crianças são criadas em um meio sensual e não apenas sexual. A sensualidade é estimulada desde sempre. Vi isso quando fui babá de uma menina de 4/5 anos que fazia orgias e brigas de "roubei seu namorado" com suas barbies.

Triste, triste.
Maravilhoso o texto, Carol!

Beijão!

Fernanda de Alcântara Alencar disse...

Gostei. Você já reparou que certas coisas vão mudando e permanecem e poucos percebem?

Nosso tempo anda tão sem inspiração.

luiz ricardo disse...

eu gosto de sexo.

Isadora Cecatto disse...

Amém, como sempre. Let's watch big brother again.

Matheus Moreira Moraes disse...

eeaí mina tamo nessas carne?

eauihaeuihuiaehiuehaiuhae tirando a palhaçada o texto ficou muito bom sim, traduziu vários dos meus pensamentos, parabéns carol!

;*

Penélope AR disse...

sensacional!