- Senta aqui.
- Não, aqui, tocando tecidos frios, estou bem aqui.
... Para longe, deslocando-me como um raio, lampejos de azul e branco em meio a árvores, ora real, ora não, fui. Passei a alvorada toda submersa, numa natureza oscilante, não sabia ignorar. Senti-me frouxa, fraca, covarde, trocando olhares mutuamente por incalculáveis minutos, o tumulto afora ficou calado e o sossego aniquilava-me. Estava ciente que ao olhar aquela carcaça eu não conseguiria não desejar nada. Desejava-o, e muito. Já o amara antes e o cálice fora grave demais para deixar assim, puramente, passar em branco. Eco. Estava hesitante, irresoluta e desabitada. A noite anterior foi cansativa, afoguei-me nas lágrimas, agora, mais uma vez, quase chorando, só que por exaustão, dissipação. Só o que me vale é o devaneio, assim como a claridade febril. Nos dois próximos dias sei que desandarei e encontrar-me-ei, igualmente, nos braços do amante. Fechei a bolsa. Subi os degraus. Abri a porta dos fundos e entrei em casa, enfim. Uma ducha. A água do chuveiro corria e o vapor rodopiava, embaçando o espelho, nublando aquela noite de astros pálidos.
18 setembro, 2008
Contrastar.
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11 comentários:
Estou gostando desses textos por aqui... eu to meio sem idéias. Não quero me afogar em mágoas... vou dar um tepo pra conseguir escrever algo beeem feliz =DD
Mas está muito bom isso aqui, menina!!
Beijão e fica bem!
Quem é você Carolina? Acho que és uma das musas disfarçadas que Zeus mandou para alegrar os mortais! Como disse o único bandeira, "tu sabes ser ardente como um soluço sem lágrimas"!!! Tu és a pureza da chama em que se consomem os diamantes mais límpidos! Não sou diamante, mas podes me consumir a vontade, é uma honra! Quando virás passear aqui por SP??? Quem sabe um dia possa te dar um abraço e conversar um pouco!
Muuitos beijos minha musa! E parabéns pelo prêmio que a Vanessa querida te concedeu, tu o mereçes certamente! Noosa, como és linda! Como brilhas!
Teus textos estão cada dia melhores! És um orguuulho pra mim amiiga :~
Te amo escriitora ;@
Beijos.
Absolutamente original.
"Estava ciente que ao olhar aquela carcaça eu não conseguiria não desejar nada. Desejava-o, e muito. Já o amara antes e o cálice fora grave demais para deixar assim, puramente, passar em branco. Eco. Estava hesitante, irresoluta e desabitada."
Adorei a não-obviedade desse texto. Comparar o objeto amado a uma carcaça, foi o toque beatnik certeiro.
Tive pelo menos umas duas interpretações do texto. Essa oportunidade de várias leituras de um mesmo texto é típica das boas literaturas.
Seu texto está cada dia mais primoroso.
Parabéns
Aliás,
Parabéns por texto "Expedição".É o seu texto mais intenso, verdadeiro e bonito que já li.Você aparece muito nele.
Parabéns.
Ah Carolsinha, depois do que li, vou ter que te contar o que me lembrou: "O Amante", Marguerrite Durras... te aconselho muito... ainda não consegui decifrar sua escrituras... fico presa a imagem que tenho de vc: menina. As vezes leio e vejo uma Carolina. Depois falamos mais sobre isso, por enquanto sou só referências... que o papel jamis te abandone e vice-versa. Devo te contar algo...
essa que saiu agora é para vc e por causa de você... vocês... acho que vc vai entender do que estou falando... beijos, love you.
retribuo o seu recado com:
Eita que fluidez.que coragem seca e gostosa. Imagens.O texto permeado de imagem e nostalgia de algo que está pra acontecer e não aconteceu. Fluido pra ler tb.
Virei mais vezes.
karla.
Se é a irmã da minha amiga Ju,(diga sim), tens meu carinho tb.
a cara...............................................................
Com o risco da sua cálida febre
mergulhei nas águas lacrimais
para salva-la do afogamento
mas sua teimosia a levou pro cheveiro banhar-te
não és mulher,
és um peixe?
Parabéns!
Você escreve muito bem.
Orlando José Machado
Laguna-SC
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procure pelos meus poemas e comente.
Obrigado!
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