O dia estava cinza, algumas nuvens pretas, chuva de fim de tarde, dia típico de verão. Um vento soprou em seus ouvidos soando música.
- Perfeito! - Exclamou Agatha. Sentou-se em frente ao piano que ficava ao lado da janela da sacada que tanto adorava. Era ali, não precisamente no piano, aquela janela que passava dias e noites, noites e dias a apreciar a paisagem. Ora admirava a lua, ora contemplava os raios do sol refletindo na piscina, cegando-lhe os olhos. Aquele local, aquela sala, aquele piano, aquela sacada, aquela janela... Tudo. Inspiração instantânea. Como dissera... Perfeito, ótimo dia para compor. Dia sem muitos espetáculos, sem muito fascínio. Aqueles tons de cinza no céu pediam por um fá.
Pronto. Havia acabado. A composição estava ali, à sua frente. Não era a primeira e também não seria a última, talvez fora a mais abstrusa delas, afinal fazer da sua vida, uma poesia compassada, pareceu uma de suas tarefas mais árduas. Um único problema, aquele dó parecia destoante, desafinado, a cada toque um arrepio, tinha algo errado, nada combinava, só podia ser algo errado com ela, alguma coisa estava faltando. Como de costume decidiu ir à sua sacada, aquela que tinha uma janela de vidro escuro, admirar a paisagem e agitação da rua. Em sua frente um arco-íris, inteirinho, dando um pouco de brilho naquele dia gris, sufocante para ela.
Sentou-se naquela poltrona de veludo vermelho e ali afundou. Caiu no mais profundo sono. Ao acordar e deparar-se com aquela lua cheia amarelada... Não pensou duas vezes. Esse luar dá poesia. Enfim foi colocar letra naquela música que só tinha melodia feita com acordes extraordinários. Papel sobre a mesa e caneta azul na mão. Primeira letra e algo devorou sua inspiração. Correu novamente para a sacada e o tilintar das estrelas mandavam algum sinal. Já com sono foi deitar-se naquela cama com um cobertor listrado, uma vaquinha de pelúcia e ao olhar para o teto viu como ele estava estrelado. Mais algum sinal? Adormeceu com isso na cabeça.
17 julho, 2008
O dó destoante.
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4 comentários:
Perfeito!
O climax está perfeito. Dá para sentir o prazer e ao mesmo tempo a agonia dela na espera de um possível sinal sobre alguma coisa.
Muuuito bom!!!
Os pais de Agatha são músicos também? Eles são rígidos ou carinhosos com ela? Ou ela teria herdado este do do avô? A música é tão importante para ela assim?
Sua facilidade em desenvolver um personagem me assusta.
Parabéns!
Beijão!
Hiiiiii, não é que ela adotou mesmo a história da menina do piano que o Carlos sugeriu?
Texto maravilhoso.
Cada dia mais fã disso aqui.
"Ao acordar e deparar-se com aquela lua cheia amarelada... Não pensou duas vezes. Esse luar dá poesia."
Lindooooo!
Vou esperar a continuação, então!!
xD
Beijoooos!
CARACA GAROTA VOCÊ ESCREVE BEM DEMAIS!
Ameei o texto. *-*
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