20 julho, 2008

O dó destoante. [2]

Acordou ao escutar aquele som de Bossa Nova vindo lá do fim da sala de visitas, era seu pai, José. A facilidade dele para tocar e cantar com uma voz inteiramente pura, limpa, sem forçar ou querer parecer cheio de técnicas vocais, nada. Era ele, o único que conhecia ser capaz de não entender nada de violão e nada de voz e usar os dois instrumentos como alguém que teve anos de estudo. Algum minuto mais tarde, apareceu a sua mãe, Letícia, a cantar a mesma música compondo um dueto maravilhoso. Pronto, a partir daquele mesmo instante ela teve a total certeza da onde vinha a sua paixão pela música, de onde herdara aquilo.
Naquela manhã inspiradora, foi novamente tentar fazer a letra para sua última composição. Primeira palavra... Segunda, terceira, nada. Não tinha rima, não fazia ritmo, não fazia sentido, um vazio.
- Meu Deus! O que está havendo comigo? – disse irritada. De nada sabia, queria poder voltar a escrever, expressando seus sentimentos da maneira mais doce, como sempre, mas nenhuma palavra saía de sua mente e ela nem sequer sabia o motivo. A única coisa que a incomodava e muito, era o fato de sentir um buraco no meio do peito, como se estivesse faltando algum órgão vital de seu corpo, coração. Faltavam mesmo motivos para ele bater aceleradamente, palpitar e para ela sentir-se pelo menos uma única vez, com falta de ar. Sentia como se não tivesse chão para apoiar seus pés sempre frios. Mas sempre, antes de pensar em qualquer paixão, pensava no ciúme dos seus pais. “Ela que não entre com um homem aqui nessa casa”, essa frase a perseguia há anos, por isso sempre teve aversão a namoros. Qualquer tentativa era em vão, não dava certo, sempre arranjava defeitos, enfim, tudo por causa do medo.
O dia foi acabando e aquela janela retornou a chamá-la... Aquela paisagem, as pessoas, as estrelas por detrás das nuvens e aquela incerteza da sua agonia. Ainda com aquilo na cabeça e adormeceu na mesmo situação.
- O que eu tenho?

4 comentários:

Bonie disse...

Bossa Nova é bonita :)

E ahhhhh qué isso, menina, tem nada não! Se bem que a pior sensação do mundo é querer escrever e não conseguir :S

Dupla Personalidade? disse...

Uma nona. A maior dica que posso dar de tudo que consigo pensar... uma nona. Aquele dó vai ser o mais lindo de todos, o resto é consequência.
Esses dois textos me trazem muitas memórias, gostei
:D

n disse...

Isso está com cara de Dó com Sétima. :P

Ao rítimo de bossa nova um dueto família. Tudo tão próximo, tão motivacional. Mas pelo que vejo essa nova canção precisa de um toque de amor diferente do que ela recebeu dos pais em outras canções. Acho que a janela a faz ter vontade de ousar, e quando a gente quer ousar, sempre busca coisa nova, no caso dela, alguém movida por amor para compor, algo interessante a espera.

Sem aumentar, nem diminuir, ÓTIMO!

Isso é porque está no Dó ainda, hehehe

Beijão Carol!

Vanessa Pinho disse...

"Acordou ao escutar aquele som de Bossa Nova vindo lá do fim da sala de visitas..."

Só de ler esse inicio já me relaxou.
E espero que nunca te falte inspiração pra escrever, porque essa pessoa aqui que vos fala é fã desse blog.