13 julho, 2008

A dor de uma saudade.


O desatento e inconformismo consomem minha alegria – a melancolia me domina...
No vídeo da TV tudo vejo e nada entendo; o entusiasmo das coisas que me atraiam, não tem o significado de antes: me desestimulam e aborrecem...
Que fazer?
Não sei!
O desassossego orgânico me assusta e incomoda...
Alguém observa meu comportamento e pergunta: que lhe preocupa?
Como um ator improvisado, assimilo um falso sorriso e respondo: tudo bem, tudo bem!
Embora tentasse me mostrar tranqüilo e alegre, meu sofrimento transparecia...
Sento em minha poltrona e tento repousar ou dar umas cochiladas tranqüilizantes a fim de esquecer as agruras.
De repente, o “terrim-terrim” do telefone me tira de supetão da poltrona. Apanho o fone, atendo, e uma voz melodiosa vinda do outro lado da linha, atingia meus tímpanos e se alojava no coração – era minha querida filha Regina. Lá do longínquo Mato Grosso do Sul contatava-se comigo.
Por uns minutos, dialogamos alegremente.
O desespero e a respiração amainavam e tudo voltava ao normal – verdadeiro lenitivo.
O relógio controlador da TELESC contava os minutos.
Neste ínterim, a oportunidade me proporcionou num gesto maravilhoso, um gostoso e benéfico bate-papo com meus queridos e adorados netos Alexandre e Rodrigo, meu amigos de coração. Gostaria de lhes contar muita coisa – talvez até uma historinha do Chiquinho e Benedito inventada na hora e ouvi-los a sorrir.
O tempo pôs fim à conversa.
Meus olhos ofuscaram-se com as lágrimas brotadas.
Passei o fone a minha esposa Ondina para que ela usufruísse do mesmo prazer.
Já reconfortado, retorno à minha poltrona e faço um “check-up” dos meus sentimentos e observo meu estado de graças. O mal-estar que se apoderara do meu corpo como carrapato, havia desaparecido e me senti forte e rejuvenescido.
Em análise clínica, concluí que meu mal era psicológico: nada mais era do que a DOR DE UMA SAUDADE.



Jair Pires
Florianópolis. 14.08.1985


(Hoje seria aniversário do meu avô Jair Pires, falescido em 1999, autor dessa crônica. Pelas saudades, em homenagem à ele postei uma de suas belas palavras escritas em agosto de 1985. E eu descobri de quem herdei a paixão pela escrita. Hoje posso dizer o que é sentir "a dor de uma saudade".)

9 comentários:

Vanessa Pinho disse...

Que coisa mais linda, que texto lindo!
Seu avô escrevia também?
Nossa, que maravilhoso você ter herdado isso dele.

Ah, e deixa eu te falar...
Você falou do meu jeito de escrever e eu achei graça porque sempre admirei o jeito que você escreve, queria conseguir escrever assim também, mas não consigo.
Tento, mas não rola...

Amo teu blog...
Já falei isso, mas hoje vou repetir.

Princesiiinha disse...

ah eu adorei o texto!
resolvi vim aqui porque li seu comentari e sei la voce escreve bem até em comentarios!
euheuiheuiehiuehieuheuiheuieh

e pow esse texto do seu avô eh otimo!
muito bom mesmo

que sorte a sua ter herdado isso! \õ

hehehe

Beijos ;*

Princesiiinha disse...

hehehe, ah eu achei ps eu te amo boom!
mais soh depois daquele final!
sei la eu naum tava me emocionando com ele não!
rsrs

mas eu gosteii!
final que me surpriieeendeeuu *-*

hehehe

;*

Boom diaa!

Ingridi Kroeger disse...

Nas futricadas dos blogs eu encontrei o seu, ameei o post

um abraço forte

Bonie disse...

Lindo! Lindo lindo!

Tenho certeza de que você herdou uma das melhores qualidades do seu avô, se não a melhor! Não mude isso nunca! :)

amanda disse...

lindo texto ;D

amanda disse...

ele faz a gente refletir bem, eu gostei mesmo.

Joji disse...

Se você tem talento como o dele, você deve escrever muitíssimamente bem :)

Maldito disse...

BEla homenagem,...
Parabens a ele, e avc que tomou essa iniciativa!

Bjs