14 julho, 2008

Alguns cigarros a menos, algumas fomes a mais.

Abandonei meus maiores vícios, quanta saudade. Acho que esse conto termina por aqui. Estou a escrever poemas livres e brancos, sem rima, sem métrica, vendo fotos antigas da época que ainda nos completávamos e que juntos estávamos nas imaginações mais delirantes. Indubitavelmente, irreversivelmente, inconfundivelmente ele. Eu ainda o amo, é como ter que explicar o inexplicável. Eu o amo e ponto. É fato, é carne, é gesto, é fome. Para esquecê-lo precisava de um gesto mais ríspido para que eu pudesse detestá-lo ou temê-lo, mas não queria. Após abandonar o cigarro, abrir mão de Pedro, desistir de mim, Hellen, morri.
Pego o telefone e ele nem sequer me liga para me avisar de uma improvável volta, então eu ligo. Ele desliga. Eu ligo, ele desliga. Eu ligo, ele desliga. Eu ligo...
- Alô?!
- Oi... -... Um suspiro...
- Ainda te amo.
- Também. - Lágrima de alegria corre involuntariamente sobre meu rosto. Viver tudo de novo?... Acendi outro cigarro.



(E esse foi o fim da história de Pedro e Hellen relatada nos textos com os títulos: Sexo em prosa; Suor e desejo; Imprevisto; Aos extremos da paixão; Alguns cigarros a menos, algumas fomes a mais.)

5 comentários:

n disse...

Ahhh, terminou???

Essa Hellen também... Um perigo...

Que tal escrever sobre uma garota de 15 anos que toca piano todos os dias próxima a uma janela, e por essa janela ela vê alguém passar, um homem mais velho, mais experiente, e com o tempo ela se apaixona por ele. Ele a inspira, trás novas idéias, sempre com um elogio e carinho pelas notas de seu piano. Com o tempo esse romance pega fogo, o piano é palco, acompanha tudo, e no final após sua última composição...

Bom, o final é todo teu.

É apenas uma sugestão para uma excelente escritora.

Quando ao teu avô, muito raro ver um homem expressar certos sentimentos com a visão que ele enxergou, isso o faz o grande homem.

Beijão!

meus instantes e momentos disse...

Oi menina, parabens pelo teu blog.
Gostei do teu modo de escrever. Voce parece escrever com o coração pulsando forte. É legal assim. Teu blog é sincero, gostei muito daqui. Parabens
Maurizio

Vanessa Pinho disse...

"- Também. - Lágrima de alegria corre invonlutariamente sobre meu rosto. Viver tudo de novo?... Acendi outro cigarro."

Perfeito.

Cada dia gosto mais desse lugar.

Isadora Cecatto disse...

Se houvesse outra língua, outro alfabeto, outras palavras, ainda assim eu não conseguiria. E o mais incrível não é o teu dom, a tua criatividade, o teu sentir. O que surpreende é o ímpeto com que tudo vai da alma às palavras, suave, direto, assim. Sem curvas, sem floreios desnecessários. Rude ou doce, tanto faz. É puro.

Admiro cada vez mais, Carol, e te ver pela manhã no colégio como alguém normal chega a assustar pelo tanto mais que sei a teu respeito desde que começou com o blog. São mundos alternativos, eu diria, esses nossos individuais e o dos sorrisos e 'bom dias' antes de pegar na matemática e rir por algumas horas. E eu te amo. Nos dois.

Maldito disse...

Putz! Agora vou ser obrigado a ler os outros textos depois de me saborear com esse,...
Bjs